Abri o playbook de aquisição da Leadster. Oito anos de aprendizado condensados em uma edição.
O CPL no Brasil subiu 33,6% em um ano.
A busca orgânica, que representava 42,7% do tráfego em 2024, caiu para 27,91% em 2026.
E o canal com a maior conversão hoje representa só 0,1% dos acessos.
Faz oito anos que eu e o Fabrício operamos a máquina de aquisição da Leadster. Nesse período, atendemos mais de 5 mil empresas e construímos uma base com 14,8 milhões de leads analisados.
Nos últimos meses, começamos a organizar tudo o que aprendemos: as campanhas que funcionaram, os canais em que insistimos tempo demais, os vazamentos de conversão e os processos que hoje conectam mídia, site, WhatsApp e vendas.
Esse material começou como uma lista de aprendizados e terminou com quase 50 páginas. Foi quando percebemos uma coisa: aquisição não pode ser ensinada como uma coleção de canais.
Não adianta dominar Meta, Google ou LinkedIn se o anúncio atrai a pessoa errada, o site não converte, o WhatsApp demora para responder e a mídia recebe um evento falso de sucesso.
O playbook precisa seguir a ordem em que a aquisição realmente acontece, e nesta edição, vou abrir o sistema que tem funcionado pra gente.
Talvez ajude você a identificar onde sua máquina está travando e qual deveria ser o próximo passo.
A aquisição está mais cara e menos previsível
Durante muito tempo, aquisição parecia uma jornada linear. A pessoa pesquisava no Google, entrava no site, preenchia um formulário e aparecia no Analytics como conversão orgânica ou paga.
Hoje, alguém pode descobrir o problema no LinkedIn, ver um anúncio no Instagram, pesquisar soluções no ChatGPT, buscar sua marca no Google e converter como “orgânico”.
O último clique aparece no relatório, enquanto todo o resto da jornada desaparece.
A queda do tráfego orgânico mostra parte dessa mudança. Na Ramper, por exemplo, ele caiu de 50 mil para 12 mil acessos mensais em 2 anos. Mas o volume de leads orgânicos se manteve.
Enquanto a busca informativa de cauda longa perdeu espaço para as respostas das IAs, permaneceu quem tinha mais intenção.
Isso também ajuda a explicar por que o tráfego vindo de IA converte 7,80%, bem acima de Google Ads e Meta Ads.
Só que o volume ainda é muito pequeno. IA pode até ser um canal de influência e formação de decisão, mas não é uma máquina previsível de aquisição.
Antes de abrir qualquer gerenciador de anúncios, você precisa ter quatro números na ponta da língua:
custo por MQL;
conversão do site;
tempo até a primeira resposta;
conversão de MQL para reunião ou SQL.
Eles mostram se o problema está em gerar demanda, converter ou aproveitar.
Sem essa linha de base, toda campanha corre o risco de tentar resolver na mídia um problema que está três etapas depois.
Antes de escolher o canal, escolha o trabalho
“Meta é melhor que Google.”
“LinkedIn é caro.”
“SEO morreu.”
Depois de analisar milhares de operações, a conclusão é um grande DEPENDE. Volume, qualidade e conversão quase nunca são liderados pelo mesmo canal, e cada um deles tem a sua função dentro da aquisição.
A escolha começa com uma pergunta: seu produto tem demanda ativa de busca?
Quando o cliente já conhece a categoria e procura uma solução, Google Ads tende a ser o melhor ponto de partida.
Quem pesquisa “software de prospecção - preço” não precisa ser convencido de que o problema existe. Seu trabalho é capturar essa demanda.
Quando a categoria é nova, o jogo muda.
O cliente pode sentir a dor, mas não sabe que existe uma solução. Nesse caso, você precisa interromper, educar e criar demanda. Meta Ads costuma oferecer mais espaço para isso.
A Leadster aprendeu essa diferença do jeito mais caro.
Insistimos por cerca de três anos no Google para uma categoria com pouca busca de intenção. Hoje, aproximadamente 70% da nossa verba está no Meta.
O LinkedIn cumpre outro papel.
Ele permite controlar cargo, empresa, senioridade e segmento com uma precisão que os outros canais não entregam. O CPC pode passar de R$80, mas a conta ainda fecha em B2B de ticket alto, ciclo longo e múltiplos decisores.
O erro é cobrar dele o mesmo volume do Meta.
Com pouco orçamento, a recomendação é: concentre antes de diversificar.
R$5 mil divididos entre três canais deixam cada um sem volume suficiente para aprender. Escolha um canal principal, valide e só depois expanda.
Também verticalize a comunicação.
“Software para aumentar vendas” fala com todo mundo e, por isso, acaba não chamando a atenção de ninguém.
Quanto mais específica for a mensagem, mais o próprio criativo ajuda a qualificar o público.
Na Leadster, os criativos não começam em uma sessão de brainstorming, eles começam nas calls.
Gravamos conversas de vendas, onboarding e CS para extrair dores recorrentes, objeções de compra e os resultados que o cliente procura.
Nossa campanha mais rentável nasceu de objeções reais das reuniões comerciais.
Criamos anúncios de remarketing respondendo cada uma delas. O lead via a resposta antes mesmo de verbalizar a dúvida na call.
A IA ajuda a transformar esse material em narrativas e roteiros. Mas ela não elimina a necessidade de teste.
Só 12% dos nossos experimentos dão certo, mas a vantagem não está em acertar sempre. Está em testar rápido, aprender e reaproveitar o que funcionou.
O orgânico não morreu. O conteúdo genérico, sim.
A IA bagunçou o orgânico porque absorveu boa parte das buscas informativas.
Conteúdos como “o que é CRM”, “como gerar leads” e “dez dicas de marketing” são resumidos sem que o usuário visite seu site.
É o avanço do zero-click marketing: a pessoa consome a resposta, mas não gera o clique, nem o tráfego.
Isso não significa que você precisa apagar o seu blog amanhã.
Significa que conteúdo informativo genérico dificilmente vai continuar sendo o principal motor de crescimento.
O conteúdo que tende a ganhar mais relevância tem um valor que a IA não consegue produzir sozinha:
dado proprietário;
experiência real;
opinião com viés único;
análise de um caso concreto.
Foi esse raciocínio que transformou o Panorama de Geração de Leads em um dos principais ativos da Leadster.
Uma pesquisa proprietária gera material rico, anúncios, workshops, newsletter, páginas comerciais e citações em outras fontes. Um mesmo dado pode alimentar vários canais.
Para aparecer nas respostas das IAs, já existem algumas ações recomendadas: organizar FAQs, usar dados estruturados, transformar PDFs em páginas e publicar informações originais.
Mas sendo bem honesto: ainda não existe fórmula garantida para “rankear no ChatGPT”.
Pergunte às principais IAs quais empresas recomendam na sua categoria e acompanhe seu share de citação. Mantenha a pergunta “como você nos conheceu?” no formulário.
Mas tenha em mente que a atribuição das IAs quase sempre vai chegar suja.
O clique não é o fim da aquisição
A mediana de conversão dos sites analisados pela Leadster é de 3,07%. Operações de alta performance passam de 7,9%.
Se você levar uma página de 3% para 6%, consegue dobrar o resultado com a mesma verba de mídia.
Mesmo assim, vemos empresas brigando para aumentar o investimento enquanto mantêm páginas lentas, genéricas e cheias de atrito.
Cerca de 60% dos usuários não passam da segunda dobra. Por isso, a primeira tela precisa responder muito rápido:
o que você oferece;
para quem é;
qual resultado entrega;
qual é o próximo passo.
Anúncio e LP também precisam contar a mesma história.
Se o anúncio promete reduzir leads desqualificados, mas a página começa falando sobre “transformação digital”, o visitante sente que caiu no lugar errado.
Já no WhatsApp, a estrutura de conversão que funciona considera quatro fatores:
velocidade: o lead precisa ser atendido antes de esfriar;
contrapartida: toda pergunta deve mostrar por que vale a pena responder;
follow-up: uma única retomada bem feita já pode aumentar as vendas em 27%;
evento qualificado: a mídia precisa saber quais leads realmente avançaram.
Na nossa base, agentes de IA respondem em uma média de 12 segundos. Humanos levam 7 minutos e 13 segundos.
Nossa intenção ao automatizar essa parte do atendimento não foi substituir toda a conversa comercial. Foi garantir uma resposta imediata enquanto o SDR está offline, em reunião ou falando com outros leads.
Isso fica ainda mais relevante porque 43,8% dos leads chegam fora do horário comercial. Mas você está pagando pelo clique 24 horas por dia. Sua operação de vendas não pode começar a trabalhar só no dia seguinte.
O algoritmo aprende exatamente o que você ensina
CTR alto com MQL caro é apenas um anúncio eficiente em atrair o público errado. CPL baixo com uma fila de leads sem perfil também não é sucesso.
Na Leadster, nossa métrica-bússola é o custo por MQL.
Depois, descemos o funil:
custo por MQL;
conversão para SQL ou reunião;
custo por oportunidade;
CAC.
Para uma operação PLG, o evento pode ser uma conta ativada. Para uma venda consultiva, pode ser uma reunião qualificada. A métrica precisa respeitar a forma como a empresa vende.
O setup mínimo inclui Pixel, API de Conversões, eventos de fundo de funil e dados do CRM voltando para as plataformas.
Se você envia evento para o Meta de todos que abriram o WhatsApp, ele procura mais pessoas que abrem conversas. Mas se envia evento só para os leads qualificados, ele começa a procurar pessoas parecidas com quem realmente avança.
O algoritmo não sabe o que é bom para o seu negócio. Ele aprende com o sinal que você escolhe devolver.
Também é preciso aceitar que nenhuma atribuição vai ser completa.
Na Leadster, descobrimos que cerca de 15% do tráfego registrado como orgânico foi influenciado pela mídia paga.
E 18% das conversões orgânicas já conheciam a marca por meio de um anúncio.
O tracking mostra o comportamento, e a pergunta “como você nos conheceu?” mostra a memória do comprador.
Nenhum dos dois é perfeito. Mas, juntos, dão uma visão mais próxima da realidade.
A IA muda os processos, não a responsabilidade
Nosso processo de IA começa bem antes do prompt.
Gravamos calls, centralizamos transcrições e armazenamos anúncios antigos junto com seus resultados.
Esse material forma uma base qualitativa que chamamos de “cérebro”.
A IA passa a criar usando o vocabulário dos clientes, as objeções reais e o histórico do que já performou.
Sem essa base, ela produz o mesmo conteúdo genérico que está disponível para qualquer concorrente.
O profissional de marketing também muda de papel.
Ele passa menos tempo ajustando lances e copiando informações entre ferramentas.
E mais tempo desenhando experimentos, julgando qualidade e conectando marketing, produto, vendas e CS.
A IA gera seis versões. Alguém ainda precisa saber qual delas merece ir para o ar.
Esse discernimento (ou taste) tende a ser uma das habilidades mais importantes dos próximos anos.
Agora eu preciso da sua opinião.
Tudo o que você leu nesta edição é um resumo do mapa de aquisição que construímos por aqui. A gente levou oito anos e milhões de reais em testes para organizar esse sistema.
Nossa realidade é de uma empresa SaaS B2B, mas também vimos esse playbook funcionar em empresas B2C de alto ticket e vendas complexas.
Estamos pensando em transformar esse conteúdo em um curso completo, entrando em cada detalhe da escolha de canais, Google, Meta, LinkedIn, criativos, IA, tracking, conversão no site, WhatsApp, marca e estratégias avançadas.
Cada módulo fecharia com um material aplicável: planilha, prompt, template, checklist ou estrutura de campanha.
Antes de gravar tudo, quero entender se ele resolve uma dor real de quem nos acompanha por aqui.
Você compraria um curso aprofundado sobre esse playbook de aquisição? Qual módulo você abriria primeiro? E o que precisaria estar dentro dele para você sentir que o investimento valeu a pena?
Me responde este e-mail. As respostas vão definir se a gente grava ou não.
Um abraço e muito obrigado pela leitura.










