A IA acelerou nosso processo de criativos. Mas o que fez a diferença não tem nada a ver com IA.
Depois de 2 anos tentando encaixar IA no nosso processo criativo, conseguimos montar algo que realmente funciona.
Queimamos verba, testamos ferramentas que prometiam muito e entregavam pouco, e passamos por uma fase em que a IA estava gerando mais trabalho do que eliminando.
Mas hoje criamos 100+ anúncios com IA seguindo um framework claro. E o nosso resultado melhorou quando paramos de criar no feeling e montamos um processo real, alimentado por dados de verdade.
Quero compartilhar esse processo inteiro, principalmente a parte dele que não tem nada a ver com tecnologia.
O processo de 4 etapas
Antes, nosso fluxo de criativos era assim:
→ Brainstorm na segunda
→ Designer faz
→ Sobe na campanha
→ Torce pra funcionar
Hoje é diferente:
1. Coletar dados reais
Gravamos todas as reuniões de vendas e CS. São 15+ calls por semana virando transcrições que o marketing minera pra encontrar objeções, dores e a linguagem real do cliente. Não é a IA que descobre essas coisas, é o contato direto com quem compra.
2. Treinar as IAs
Pegamos nossos melhores anúncios e narrativas que já performaram e alimentamos o Claude e o GPT com esse “cérebro”. A IA genérica morre aqui. A IA treinada com seus dados é outra coisa.
3. Gerar narrativas em escala
Rodamos o mesmo briefing em IAs simultâneas e geramos variações de hook, ângulo e narrativa. Onde antes tínhamos 2 opções por semana, hoje temos 10+.
4. Discernir e produzir
A IA gera volume. O humano escolhe o que é bom. Envolvemos o time todo numa votação, e essa curadoria é o que separa o criativo mediano do que realmente performa.
Com esse processo, conseguimos criar novas narrativas, descobrir objeções de compra e usar termos que nosso cliente realmente usa. Marketing sempre foi sobre conhecer profundamente o cliente, e hoje conseguimos fazer isso de forma escalável.
A etapa que decide tudo
Desses 4 passos, o que mais impacta o resultado é o último: a curadoria.
O Claude gera 10 roteiros de anúncio por vez. Todos tecnicamente corretos. Todos com estrutura adequada. Mas só 2 ou 3 têm potencial real de engajar.
E identificar quais são esses 2 ou 3 exige algo que a IA não tem: repertório, visão de mercado e conhecimento profundo da persona.
Naval Ravikant chama isso de “capacidade de discernimento”. É a prática que constrói isso, não um curso ou uma ferramenta.
A IA acelerou a produção, mas não substituiu esse passo. Na verdade, reforçou a importância dele. Porque agora que o volume é abundante, a qualidade da curadoria define tudo.
Minha sugestão: não terceirize 100% das escolhas. Envolva líderes, chame o CEO, peça opinião do time de vendas. Quem está no campo de batalha enxerga melhor que qualquer algoritmo.
O que infoprodutores entendem e times B2B ignoram
Essa semana tive um insight scrollando o Instagram: infoprodutores fazem anúncios muito melhores que empresas B2B.
O motivo é simples: na maioria dos casos, eles mesmos criam as ideias, revisam e gravam. O conhecimento está na fonte. Não passa por 5 camadas de aprovação. Não dilui em briefings. Não vira algo genérico no meio do caminho.
No B2B, o que acontece? CEO contrata time de marketing pequeno ou agência, paga pouco, fica distante do processo. Espera um resultado gigantesco. O time não conhece o cliente de verdade. Não ouve as calls de vendas. Não entende as objeções reais.
Resultado: anúncios sem alma, mais do mesmo.
Aqui na Leadster eu nunca me afastei do processo de criação de anúncios. Não porque quero controlar tudo, mas porque preciso trazer a visão estratégica:
→ Analiso as reuniões de vendas
→ Conheço profundamente o produto
→ Estudo o que o mercado quer
Depois o time executa, refina, produz. Mas a alma do anúncio vem de quem conhece profundamente o negócio.
A IA mudou o jogo da criação de criativos. Mas não do jeito que a maioria imagina.
Ela não substituiu o humano, só amplificou quem já estava perto do processo. Se a liderança está envolvida, a IA escala uma visão estratégica real. Se a liderança está distante, a IA só produz mais anúncios genéricos, mais rápido.
Para mim, o processo ideal funciona assim:
→ Dados reais alimentam a IA (não prompts genéricos)
→ IA gera volume com qualidade de base alta
→ Liderança próxima faz a curadoria que define o resultado
→ Time executa, refina e produz
Se você é líder ou dono de empresa, não se afaste do processo criativo. Especialmente agora que a IA permite produzir em escala. Porque escala sem direção é só barulho.
E por aí, como tá o envolvimento da liderança no processo criativo? A IA entrou e a liderança se afastou ou se aproximou?
Me responde esse e-mail… quero saber o que outros times estão vendo na prática.







